sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Meu milagre...

Quando Deus fez o mundo, escolheu enchê-lo de animais, e decidiu dar uma qualidade especial para cada um. Todos os animais formaram diante Dele uma longa fila, e o gato, calmamente, foi para o fim da fila.

Deus deu ao elefante e ao urso a Força, ao coelho e ao cervo a Velocidade, a Sabedoria à coruja, Beleza aos pássaros e borboletas, Esperteza para a raposa, Inteligência para o macaco, Lealdade para o cão, Coragem para o leão, Alegria para a lontra... Todas estas coisas os animais haviam pedido para ter.

Afinal, ao fim da fila, o pequeno gato sentou-se e esperou paciente. Deus perguntou-lhe: - O que terá você ?

Ao que o gato encolheu os ombros e respondeu: - Qualquer coisa me servirá. Eu não ligo.

E Deus disse: - Mas eu sou Deus ! Quero lhe dar algo especial !

E o gato, espertamente, respondeu: - Então me dê um pouco de tudo, por favor !

E Deus, rindo-se da enorme inteligência do animal, deu para o gato a soma de todas as qualidades dos animais, mais a graça e a elegância, e um gentil ronronar, para que ele sempre atraísse os homens e conquistasse seus lares.



 "Nos meus momentos de contemplação, eu ficava refletindo que havia algo de inspirador na maneira como Homero parecia disposto a escalar qualquer coisa, sem ter a mínima ideia da altura que estava vencendo ou qualquer plano para retornar com segurança ao chão depois de alcançar o topo. Um nível de coragem desses não é pouca coisa, não.
Por mais inspirador que fosse, no entanto, era também apavorante. Qualquer pai entende o que eu estou falando. Sabe aqueles momentos em que você percebe de repente que não vê seu filho há 15 minutos? Você se repreende por ter ficado tão ocupado com outra coisa a ponto de perder a noção de onde ele está. Onde está ele? E se tiver acontecido alguma coisa? Por que eu não estava prestando atenção?.
Pra mim, era uma questão de honra insistir em que Homero era um gatinho perfeitamente normal. Melhor que normal, até. Eu tinha vontade de matar as pessoas que sugeriam que ele precisava de cuidados "especiais" por conta de sua "deficiência", e afirmava com irritação que ele era tão capaz de se virar sozinho quanto qualquer gato "normal" do mundo.
(Gwen Cooper)


Carol Monteiro 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Odisseia do meu John Homero...

Ser mãe do John,


É contar as horas para chegar em casa e ficar com ele. É morrer de saudade... 


É rir horrores com as cambalhotas, pulos, ataques e às vezes até mesmo com as “cabeçadas” que ele dá na parede e que ele pouco liga. Eu que fico louca, vou lá dou beijinho e quando coloco ele no chão tudo se repete...


 
É me orgulhar por ele ter aprendido tudo sozinho e a cada dia tem uma coisa nova. A escada já é "bobagem" pra ele, tira de letra... é um sobe e desce sem fim...



É entender que às vezes ele vira ou pensa que é um cachorro e eu preciso dar um ossinho pra ele também... rs 





É não brigar com ele quando eu quero mudar de canal, pois ele sempre domina o controle remoto...





É não me preocupar com os 50 arranhões que ganhei... 




É entender que o celular TÁMBÉM é dele. Se ele escutar tocando, já era...





Ser a mãe dele, é ter uma motivação diferente desde que ele chegou. É ficar surpresa com as coisas que ele me ensinou e me ensina... Ser a mãe dele é simples, mas pouca gente entende a importância de ser a mãe do Homero...




"De modo que não adotei Homero porque ele era bonitinho, pequenino e meigo, ou porque ele estava desamparado e precisava de mim. Eu o adotei porque, quando você acredita ter visto algo realmente valioso em alguém, não fica procurando motivos para afastá-lo da sua vida. Você se compromete a ser forte o bastante para trazer esse alguém para perto de você, aconteça o que acontecer. 
Quando faz isso, você começa a ser tornar aquilo que admira.
O que estou tentando dizer é que, quando decidi trazer esse gatinho cego pra casa, tomei a primeira decisão adulta da minha vida sobre um relacionamento. E, sem perceber, estabeleci o padrão pelo qual julgaria todas as minhas relações nos anos que estavam por vir."  
(Gwen Cooper) 



Carol Monteiro.





segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O que os gatos fazem por nós?!

Esquentam nosso colo e nos dão alguém para falar.
Ajudam a baixar a pressão.
Criam um elo entre você e as outras pessoas que têm gatos.
Transformam objetos comuns em brinquedos.
Nos faz mais atentas aos pássaros.
Funcionam como alarme.
Exibem acrobacias para você.
Contribuem para tornar sua vida mais longa.
Enfeitam o peitoril da janela.
Mantém os ratos longe.
Nos faz sorrir.
Inspira os poetas e escritores.
Nos ensina a ter os pés no chão.
Nos faz deixar nossos desejos em segundo plano em prol de alguém.
Aquecem nossas casas e nossos corações.
Nos lembram de como a vida é misteriosa.
Compartilham conosco o seu ronronar.
Nos instruem na arte de se espreguiçar.
Mostram-nos como levantar a poeira e dar a volta por cima.
Fazem com que até nosso sofá velho pareça bonito.
Abrem nossos corações.


"Como não cair de amores por seu pelo espetado, por sua cavidade ocular funda e pequenina, por seu apetite insaciável por comida, carinhos, chamegos e brincadeira? Sim, ele brincava como um gatinho normal, apesar de cego. Resumindo, era a coisinha mais adorável... em todos os aspectos, com exceção daquele com o qual a maioria dos humanos se preocupa: a aparência."

(A Odisseia de Homero - Autora: Gwen Cooper)

Carol Monteiro

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Porque os gatos nos fascinam tanto? Serão eles mensageiros que surgem em nossas vidas como instrumentos Divinos, para nos confortar durante os tempos tempestuosos de nossas vidas?


Do livro: "O Vendedor de Sonhos" (Augusto Cury)

Certa vez houve uma inundação numa imensa floresta.
O choro das nuvens que deveriam promover a vida dessa vez anunciou a morte. Os grandes animais bateram em retirada fugindo do afogamento, deixando até seus filhos para trás.
Devastavam tudo o que estava à frente.
Os animais menores seguiam os seus rastros.
De repente uma pequena andorinha, toda ensopada, apareceu na contramão procurando a quem salvar.

As hienas viram a atitude da andorinha e ficaram admiradíssimas. Disseram: "Você é louca! O que poderá fazer com um corpo tão frágil?". E os abutres brandaram: "Utópica! Veja se enxerga a sua pequenez!”.
Por onde a pobre andorinha passava era ridicularizada. Mas, atenta, procurava alguém que pudesse resgatar.
Suas asas batiam fatigadas, quando viu um filhote de beija-flor se debatendo na água, quase se entregando.
Apesar de nunca ter aprendido a mergulhar, ela se atirou na água e com muito esforço pegou o diminuto pássaro pela asa esquerda. E bateu em retirada, carregando o filhote com o bico.

Ao retornar encontrou as hienas, que não tardaram a declarar: "Maluca! Está querendo ser heroína!”.
Mas não parou; muito fatigada só descansou após deixar o pequeno beija-flor em local seguro.
Horas depois, encontrou as hienas embaixo de uma sombra. Fitando-as nos olhos, deu a sua resposta: "Só me sinto digna das minhas asas se eu as utilizar para fazer os outros voarem”.


Carol Monteiro


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Homero, meu Angel Cat...


Gato, com seus olhos profundos, enigmáticos e reluzentes, o sol e a lua parecem se esconder no seu olhar. Há quem não goste deles. Talvez pelo fato de os gatos demonstrarem total independência diante do homem. Talvez ainda por não serem fáceis de decifrar. Só os decifra quem realmente os ama e tem a sensibilidade de entendê-los
Gatos, não menos amigos que os cães. Quem os conhece sabe como ninguém quanto amor ele têm para dar. A diferença é que eles não suplicam o seu amor. Se você dá, ele recebe. Se não dá, ele raramente pede.
Muitos dizem que gatos captam as energias negativas. Eu já acredito que gatos são a energia positiva. Uma simples bolinha de papel, para eles, vale ouro. Uma cortina então, é uma festa... Uma caixa de papelão é o esconderijo e abrigo perfeitos. O que surge pelo caminho torna-se brinquedo para ele. Gatos conseguem transformar em alegria e brincadeiras quase tudo que veem pela frente.

Com seu olhar de mistério, gatos diferem fisicamente, uns mais belos que os outros, parecem pintados a mão por um artista, o maior pintor de todos. Os detalhes dos pelos, dos olhos, tudo tão perfeito, tão singelo e tão lindo. Por mais que o ser humano tente imitá-los, não conseguirá porque gatos são únicos.

Gatos sabem viver. Eles brincam com tudo o que é simples, brincam com um mosquitinho, brincam com o ar; eles têm uma agilidade nata, que os faz grandes atletas, pulam para lugares e de lugares que nós não imaginaríamos sequer pensar; ao se banharem, possuem uma flexibilidade jamais vista; e o sossego ao dormir, se enrolam em seus corpos, ficam debaixo de cobertores, se instalam em lugares jamais imaginados, para que ninguém os atrapalhe, afinal, dormir é uma dádiva.
Pobres as pessoas que ainda não conseguiram decifrar esse anjo de sete vidas. Porque sete vidas? Porque os gatos vivem tanto a sua vida que para muitos parecem ter sete delas. Mas, não, eles têm apenas uma, e muito bem vivida se assim o ser humano permitir.

Quem um dia teve um gato nunca mais deixou de tê-los. Afinal, a paz que eles transmitem realmente é única. Eles são energia pura. Os ensinamentos que eles passam, simplesmente com o olhar e seus gestos mais simples, nem o professor mais experiente conseguiria transmitir.

Em suma, gatos são anjos alados, com asas ocultas, anjos de sete vidas. Anjos enviados por Deus para ensinar aos humanos como é simples, bom e perfeito VIVER.

(Cláudia Lubrano de Catro) 







Gatos são luz
Luz que brilha dos olhos
Olhos que cativam e buscam o amor
Amor que vira eterno
Eterno no coração
Coração de quem sabe amar
Amar da forma mais singela e linda possível

Carol Monteiro 

"... E qualquer dádiva, por menor que seja, é preciosa".


Bom como eu já sabia, cuidar do Homero seria algo bem diferente. Na ultima terça-feira, dia 11/01, ao acordar percebi que o olho esquerdo dele estava bem diferente do “normal” desde que ele chegou. Como eu não sabia o que poderia ser, corri para o veterinário.

E ele me disse que Homero terá que operar. O veterinário disse que queria esperar ele crescer mais um pouco, mas do jeito que o olho dele estava, a operação teria que ser feita logo, pois aquele olho “era uma porta aberta para qualquer infecção”, palavras do veterinário. Como ele não estava em jejum, Homero não poderia operar naquele dia e também porque existe uma série de procedimento antes da operação.

Fiquei muito nervosa, preocupada e apreensiva. Será que uma criatura tão “pequititinha” poderia resistir a uma operação assim, com anestesia geral? O veterinário tentou me tranqüilizar dizendo que o risco que ele corre é o mesmo de um gato adulto encontrado na rua, nas mesmas condições que Homero. Enfim, tentei ficar calma mais confesso que ta muito difícil...

Portanto, John Homero está ótimo. Engordou dois quilos desde chegou, já sabe subir na minha cama e se enroscar no meu cabelo para dormir e até mesmo já criou a “máfia” dele. Honofre (meu gato de um ano e três meses) e Dobradinha (meu gato de dois anos), junto com o Homero já colocam terror na casa. Um verdadeiro desespero e lutas engraçadas.

Por enquanto é só isso, Homero está adorando o novo lar e os novos irmãos. Ontem ele fez algo incrível. Ele esta brincando no meu quarto (que fica no segundo andar) brincando com uma bolinha mega barulhenta. Entre muito pulos e golpes, como se aquela mera bolinha fosse um grande inimigo, ele deixou a bolinha cair escada a baixo. Homero incrivelmente desceu as escadas pegou a bolinha com a boca, subiu as escadas tranqüilamente e colocou a bolinha de novo no meu quarto, como quem diz assim: “eu quero brincar aqui”. Achei aquilo a coisa mais incrível do mundo. Meus nove gatos, todos com os dois olhos em perfeito estado nunca fizeram algo parecido.

Então, Homero está ótimo de verdade. Deus e São Francisco de Assis vão me ajudar e tudo vai correr bem na operação dele que será na sexta, dia 14/01, e ele vai voltar pra casa mais feliz do que já está.
Mais uma vez agradeço a tia e dinda do Homero, Raquel por todo o apoio. Babe, sem você tudo seria mais difícil, obrigada por ficar do meu lado quando o mundo virou as costas pra mim. Te amo imensamente e John Homero também ama demais a dinda dele. (L)

 "Se eu era capaz de preservar uma vida que valia a pena ser vivida, essa era a minha prioridade". 

(Trecho do livro: A Odisseia de Homero - Autora: Gwen Cooper)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Não tem explicação, não tem, não tem...

Estamos juntos há quatro dias e eu já sinto um amor incondicional por esse amigo que ganhei. Pois é, não tem mesmo explicação e se alguém tiver e puder me falar, seria eternamente grata rs
Acordo e já vou direto para a garagem ver como Homero está e ele me recebe todo carinhoso, todo meigo e feliz. É o melhor bom dia que alguém pode ganhar.
Sair para o trabalho é quase o fim do mundo pra mim. Fico preocupada demais com ele. E quando tenho oportunidade ou até mesmo quando não tenho falo dele para todo mundo hahahaha
Chegar em casa é uma alegria sem fim pra mim e esses dias percebi que pra ele também. Coloco ele no colo e o “espertinho” fica se exibindo como quem diz: “Nossa, que bom que você chegou. Sinto muito sua falta”.
Brinco com ele por um tempo e acabei ganhando alguns arranhões bem visíveis desde que ele chegou, mas sinceramente não me preocupo não, às vezes até deixo rs
Ele brinca, brinca e quando cansa se aconchega no meu colo para eu fazer ele dormir, já virou rotina.
Ai eu tenho o duro trabalho de colocar ele na garagem. Subo correndo pro quarto para não escutar nem um “miu” de tristeza. Juro que nas vezes que escutei já pensei em dormir com ele na garagem.
Mas a garagem ta ficando pequena DEMAIS pra ele.
Eu e minha mãe decidimos deixar ele passear para ir conhecendo a casa enquanto estamos por perto. E ele tem saído muito bem. Já sabe escalar o sofá para dormir e já sabe descer também. Sobe os quinze degraus que levam ao segundo andar da casa em menos de um minuto.
Minha mãe é mais tranqüila e fala sempre pra mim: “Deixa o gato em paz, ele tem instinto. Ele sabe se virar”. Não respondo, pois sei que no fundo ele tem razão, mas é impossível não ficar atrás dele vendo o que ele anda aprontando pela casa.
Eu tento sempre encorajá-lo, por exemplo: “Sobe aqui, Homero”, “Desce devagar, meu filho”. Sempre tentando fazer barulhos para ele conseguir perceber a altura do degrau, do sofá e até mesmo da cama, mas essa ele aprendeu a subir sem a ajuda de ninguém.
Minha sorte é que ele não consegue ver a minha cara de medo e preocupação quando ele tenta algo novo. Coloco a mão na boca para abafar o grito de “MEU DEUS DO CÉU” que sempre ousa sair quando ele quer fazer uma arte nova.
Homero é muito corajoso. Eu nunca iria imaginar uma adaptação tão rápida.
Ontem enquanto eu me arrumava para ir pro trabalho, ele arrumou um jeito de se esconder dentro do meu armário rs  



Ele já se dá bem com todos os outros gatos da casa. E inacreditavelmente parece que os gatos sentiram que ele é diferente. Isso foi ótimo, pois nenhum gato estranhou Homero.
O Dudu (cachorro) deixa ele dar o famoso “bote” no pescoço dele e nada faz. A Lilo (cadela) brinca de pique com ele e adora roubar as 300 bolinhas barulhentas que compramos pra ele.

Homero é muito especial, muito mesmo. O povo tem aquela ignorante mania de falar que: “O gato só te faz carinho quando quer algo”. Eu sempre desacreditei, mas não critico ninguém. Só quem tem um gato em casa sabe que isso não é verdade.
E o Homero só chegou para afirmar muito mais esse pensamento que eu já tinha e tenho. Não acredito que quando ele vem andando e se aconchega no meu colo, ele ta querendo pedir “algo em troca”, além de carinho e um pouco de atenção. Ah e se eu paro de fazer carinho, ele reclama rs
Homero ta se saindo muito bem e eu estou muito feliz com a presença dele na minha vida. O machucado dele já ta bem melhor e o olho melhora a cada dia. Ele é levado pra caramba mais do que qualquer gato filhote que eu tenha visto.

Por fim, agradeço a Deus todos os dias por ter “unido” a gente. Ele chegou mesmo para mudar minha vida.


 Carol Monteiro 

domingo, 9 de janeiro de 2011

O encontro... O Grande dia!



Deus SEMPRE escreve certo por linhas tortas!
A intenção era passar no parque do Flamengo, porque a Raquel, uma amiga muito querida, queria muito adotar um gatinho. Como a nós já sabíamos que uns “animais” sempre abandonavam seus bichinhos por lá, resolvemos ir até eles e quem sabe achar um gatinho para a minha amiga adotar.
Em lugares como esse tudo é muito triste. São inúmeros gatos abandonados. Às vezes bem de saúde, uns machucados, filhotes, gatos adultos, alguns debilitados demais e outros tentando fazer de tudo para cada vez mais chamar sua atenção e quem sabe ganhar um lar.
Foi então que eu encontrei Homero, mas até aquele instante eu não sabia que ele seria o MEU Homero e ele também não sabia que ganharia um lar. Ou como uma das moças que cuidam dos gatos do parque disse: “Ih esse ganhou na mega sena da virada”.
Homero era o gato cego do grupo, o possivelmente rejeitado para qualquer tipo de adoção, mas o que mais precisava de um lar e de cuidados. Foi com o coração partido que eu olhei aquela miniatura de gato, cego dos dois olhos, brincando como se nada tivesse acontecido, como se o mundo fosse perfeito daquele jeito que ele “enxergava”. Ele era o mais feliz do “grupo”.
Logo, eu que tenho um coração muito frágil quando o assunto são bichinhos abandonados, me desabei em lagrimas. Era uma mistura de pensamentos que eu não conseguia conciliá-los naquele momento. Pensamento do tipo: “Como pode alguém fazer isso com uma criatura tão inocente?”, “Porque isso tinha que acontecer com ele?”, “E agora o que eu faço?”, “Levo pra casa? Mas ele precisa de cuidados especiais...”
Eu já tenho nove gatos e dois cachorros, naquele momento concordei comigo mesma que mais um não faria a menos diferença, mas ele não era mais um gato, ele era o Homero, o especial e que obvio, precisaria de algum cuidado diferente dos nove gatos independentes que eu tinha em casa.
Liguei para a minha mãe (outra frágil demais) em prantos contando a historia de gato cego e abandonado e que segundo eu ouvi a moça que cuida do parque falando, poderia morrer a qualquer momento, já que as condições ali do parque onde eles dormem e comem são precárias. Minha mãe não pensou muito e antes de eu acabar de tentar contar a historia, ou pedir permissão para adotar um gatinho, ela disse: “Pega ele, filha. Leva ele pra casa que nós vamos cuidar dele.” Não sabia como um super herói se sentia quando salvava uma vida, mas naquela hora eu descobri, pois me senti uma super heroína. Eu iria salvar ele. Era uma mistura de alivio, medo, felicidade, tristeza...
Sai de lá com o Homero louco dentro da casinha, direto para o veterinário. Percebi o quanto ele estava com medo, pois mordia a grade da casinha como quem diz: “me tira daqui, por favor,”. Tente acalmar ele, peguei a mãozinha dele e fiquei fazendo carinho, incrivelmente Homero ficou quietinho e logo de cara eu percebi o quanto ele era meigo e carinhoso.
Homero tem um machucado na cabeça, acredito que foi por maus tratos. O olho direito dele é fechadinho e no esquerdo cresceu uma “carne” fechando a visão dele.
O veterinário disse que esse olho esquerdo, ele realmente perdeu, pois essa “carne” foi a parte de trás do olho que veio para fora furando o mesmo, pois é, nada bom de se escutar mas a pura realidade. A realidade de um gatinho que possivelmente lutou um pouco para chegar aos dois meses.
Sai do veterinário com o coração partido. Era uma mistura louca de muitos pensamentos bons e ruins.
Como tenho nove gatos, o veterinário pediu que Homero ficasse separado devido a certas doenças que ele poderia transmitir.
Eu repito, tenho nove gatos. Todos, eu peguei na rua e nunca tive problemas de adaptação ou de doenças gravíssimas. Mas deixar o novo integrante da família separado confesso que por alguns minutos me deixou aliviada, uma vez que estava muito chocada e preocupada com as condições dele.
Como a casa é grande e nós não temos carro pensei logo que a garagem seria um bom lugar para Homero ficar por um tempo.
Tudo foi realmente muito rápido e inesperado... Muito chocante e comovente. Então acredito que só me dei conta de tudo quando entrei em casa e abri a caixinha para Homero conhecer a garagem.
Chorei por horas... Pensei como seria tudo relacionado a ele. Será que eu conseguiria cuidar de um ser tão pequeno, indefeso e que iria precisar muito de mim? Rezei, pedi ajuda a São Francisco de Assis, pedi ajuda a Deus.
Sentei na garagem um pouco com Homero, ele deitou no meu colo e ronronava sem parar e me olhava como que diz: “Não chora, ta tudo bem.” Mas confesso que foi muito difícil esse primeiro dia.
Nunca passei por algo parecido nos meus míseros 23 anos de vida, já tive muitos bichos, perdi alguns, mas aquela situação por algum motivo era diferente pra mim. Algo me dizia lá no fundo que Homero era diferente de tudo e de todos. Diferente não por ser cego, mas por fazer nascer em mim sentimento puro e verdadeiro que naquele momento da minha vida estava apagado.
Comprei a melhor ração, dei todos os medicamentos receitados pelo veterinário, preparei a caminha mais fofa e confortável. Tudo para me certificar de que Homero ficaria bem.
E ele realmente se saiu muito bem. Usou a caixinha de areia como quem diz: “Ih, sou craque nisso”.
E nosso fim de tarde foi assim, eu do lado dele tomando conta de cada passo que era dado.
Quando minha mãe chegou do trabalho, eu continuava lá sentada com o meu Homero.
Mamis chegou com presentes para mim e para ele.
Para Homero: caixinha de areia, pote de comida e de água e uma bolinha barulhenta demais rs
Pra mim: Um cartão com as mais belas palavras e uma imagem linda de São Francisco de Assis.
E assim foi o fim da nossa noite. Eu como o coração partido por ter que deixar meu pedacinho de pêlo na garagem, sozinho...
Naquela noite acordei algumas vezes e desci para ver como ele estava. E percebi que estava me preocupando demais “à toa”, Homero dormia de barriga pra cima com os braçinhos esticados, despreocupado com o mundo. Acho que ele estava se sentindo numa suíte presidencial rs

E no fim, quando me rendi e decidi dormir de verdade, deitei e alguns pensamentos tomaram conta de mim.
Homero veio para despertar sentimentos que eu nunca tinha descoberto em mim. Um bichinho tão pequeno pode fazer isso? Pode sim, e pra quem não acredita eu afirmo que pode mesmo. Pois o sentimento que eu hoje tenho por ele é único e inexplicável.

E para finalizar eu queria agradecer a minha mãe e a dinda do Homero,tia Raquel. Obrigada pela força e pelas palavras quando o mundo ficou contra minha atitude.
Amo vocês e o Homero agradece o carinho. 

Foto do filho mais lindo e carinhoso do planeta: 
Homero ganhou esse nome em homagem a tia Raquel. No natal ganhei um livro dela de presente que contava a historia de Homero, um gatinho cego. Nada mais justo ele ganhar esse nome, não acha?

Carol Monteiro